A paulistana Maria Eugênia é dona de casa, tem 64 anos e um único neto, o Luís Felipe, que neste mês completa doze anos de idade. O Luís Felipe é cego. "Antes do
Felipe, eu nem imaginava como era ter uma deficiência e a única coisa que sentia era pena dessas pessoas", conta em um longo email. "Via campanhas de arrecadação de dinheiro para instituições assistenciais na televisão, todo mundo sorrindo, eu ficava feliz por serem acolhidas e cuidadas pela sociedade, já que achava que
não podiam mesmo estudar, trabalhar ou casar - aliás, achava que nem eram em número tão grande porque a gente quase não vê cadeirantes e cegos pelas ruas".
Hoje, a opinião da Maria Eugênia é outra: "O preconceito contra quem tem deficiência é enorme, a desinformação sobre o assunto é geral e as medidas realmente inclusivas quase não existem, principalmente para os cegos. O discurso do governo é um e a prática é bem outra. Muitas ações para a imprensa ver, mas que nem de longe atendem
às reais necessidades de quem tem deficiência. Somos uma família de leitores, lembro da farra que eram as reuniões com colegas de escola para fazer trabalhos, aquele
monte de livros indicados pelos professores espalhados sobre a mesa para a gente discutir e consultar. Fico triste porque o Felipe não tem acesso a eles, as editoras
não vendem os livros nos formatos digitais acessíveis, as bibliotecas não são acessíveis e livro é uma das coisas de que ele mais gosta na vida! Hoje, já quase
nem
entro mais em livrarias, de tanto desgosto. Os livros não são acessíveis, as cidades não são acessíveis, a televisão também não! Nada que é para todo mundo é para
ele. O esforço dos cegos para estudar, para ter acesso à cultura e à vida social é muito grande e maior ainda para se equiparar aos colegas que enxergam. Nossa
preocupação
é que, mesmo que o Felipe conclua uma faculdade, como é que vai conseguir um bom emprego?"
Boa pergunta. O consultor, palestrante em acessibilidade e ativista Flávio Scavasin que o diga. Tem 53 anos, é formado em Direito pela Universidade de São Paulo
(USP), em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e dono de um consistente currículo que inclui a gestão do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. É monocular,
ou seja, enxerga com apenas um dos olhos, e utiliza uma prótese em uma perna. Para fazer um teste de empregabilidade e comprovar o que já é mais do que sabido,
Flávio
digitou seu currículo para uma das melhores vagas oferecidas pela mais conhecida agência de empregos online do país. Ao colocar sua deficiência, a vaga simplesmente
desapareceu!!! Mas voltou, como mágica, assim que ele digitou o mesmo currículo sem mencionar a deficiência...
Relatou o episódio durante o recente fórum Sou Capaz - Promovendo a Inclusão Profissional, realizado no dia 31 de março pela Federação das Indústrias do Estado
de
São Paulo (FIESP), em São Paulo, a um painel de palestrantes composto, entre outros, por representantes do governo municipal, das empresas Mahle, Metso Brasil e
Pirelli e auditores fiscais do trabalho. Ouviu que muitas empresas contam com parceiros externos para a seleção de pessoas com deficiência e outras nem conhecem
estes canais de acesso; e que as vagas existem e não há discriminação quanto a seu preenchimento por pessoas com deficiência, bastando que sua deficiência não atrapalhe
a execução da função.
Questionados a respeito da ínfima ocupação de cargos gerenciais e executivos por pessoas com deficiência, os argumentos foram de que por conta das dificuldades
existentes
para que tenham uma boa educação e formação profissional, o maior número de vagas acaba sendo mesmo para os cargos com pouca qualificação; que o recrutamento para
os cargos mais altos é feito dentro das próprias empresas, que optam por promover seus funcionários em vez de buscar profissionais no mercado; que para algumas
especialidades não há profissionais capacitados nem com nem sem deficiência; e, claro, a resposta-padrão quando não se tem uma resposta: que esta é uma questão
latente
que precisa ser mais discutida, mais aprofundada em mais encontros, mais debates etc. etc. etc.
O sopro de ar fresco do fórum veio de Grácia Fragalá, ex-executiva das áreas de segurança e saúde no trabalho do grupo Telefônica e atual consultora da FIESP, ao
afirmar que nas empresas, as áreas da segurança e da saúde do trabalhador são restritas ao ambulatório, à análises de acidentes e à expressão "não pode"; são áreas
vistas como centros de custos e não de investimentos; que a empresa só olha para tudo o que a pessoa com deficiência não pode fazer; e que o foco está mesmo apenas
no cumprimento de exigências legais.
Já a coordenadora nacional do projeto de inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, Fernanda Maria Pessoa Di Cavalcante, uma das palestrantes do
Fórum Lei de Cotas e Trabalho Decente para Pessoas com Deficiência, realizado no último dia 11, na feira Reatech, em São Paulo, afirmou que são muito poucas as
empresas
que cumprem a Lei de Cotas espontaneamente. "Pergunto a empresários se contratariam pessoas com deficiência se não houvesse obrigatoriedade e fiscalização e a resposta
é sempre não", diz.
O mais preocupante, segundo Fernanda, é constatar que em 2012 ficaram nas empresas apenas 6% do percentual de pessoas com deficiência incluídas - costumam ser demitidas
depois que a fiscalização é realizada. "Mas a Lei de Cotas ainda é, infelizmente, o grande instrumento de inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho",
conclui. No mesmo fórum, o secretário estadual de inclusão da pessoa com deficiência da Força Sindical de São Paulo, João Batista da Costa, afirmou que "em cada
quatro trabalhadores com deficiência no Brasil, apenas um está empregado".
Ainda no fórum, o consultor e ativista de direitos Romeu Kazumi Sassaki apresentou e comentou as recomendações da Organização Internacional do Trabalho para a Boa
Inclusão. Aí vão algumas delas, tão necessárias quanto urgentes: fomentar o autoemprego e as empresas sociais, como, por exemplo, as cooperativas; incentivar o
acesso
ao crédito financeiro; melhorar o trabalho decente nas economias rurais; equacionar o trabalho informal, para que deixe de ser clandestino e assegure direitos ao
trabalhador; implementar a acessibilidade nos espaços virtuais, quase esquecida em detrimento das adaptações de ambientes físicos; e que a inclusão, com as discussões
envolvendo basicamente a iniciativa privada, também seja cobrada no setor público, no governo - espaços muitas vezes restritivos demais.
Flávio Scavasin brinca que, se nos anos 1970 só o que os governos faziam no Brasil era construir estradas e aeroportos pela visibilidade que traziam, estamos agora
na década dos eventos e é um atrás do outro. Só que, infelizmente, o que se nota é que, cada vez mais, os encontros, debates, seminários e simpósios sobre inclusão
têm sido apresentados por quem não tem deficiência e, também cada vez mais, para plateias formadas em sua quase totalidade por pessoas sem deficiência. Em um meio
onde quase não existe luta por direitos básicos, como esperar mudanças efetivas se a já pequena participação dos maiores interessados parece diminuir? Às vezes,
nada é mesmo tão ruim que não possa piorar.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Divulgando Pós-Graduação em Educação Especial
Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em
EDUCAÇÃO ESPECIAL: ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO
1ª Edição – Câmpus Ijuí
Um dos graves problemas que afetam o sistema de ensino é a sua incapacidade para compreender a diversidade de fatores pessoais, cognitivos e sociais que estão implicados nas aprendizagens.
Diante dessa realidade, o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Especial: Atendimento Educacional Especializado visa capacitar profissionais da área da educação para atuar neste contexto, atendendo as diferentes especificidades na educação especial e promovendo uma compreensão do processo de inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns.
Para isso, o curso prepara o aluno para a escola inclusiva e para a reflexão sobre a problematização e a construção do conhecimento sobre as diferenças no contexto da aprendizagem nas especificidades da deficiência, transtornos globais do desenvolvimento visando capacitar profissionais para trabalhar no atendimento educacional especializado.
PÚBLICO ALVO
Profissionais das áreas de pedagogia, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, educação física, serviço social, terapia ocupacional, demais licenciaturas e áreas afins.
PREVISÃO PARA INÍCIO DO CURSO
- Setembro de 2014 (Câmpus Ijuí)
DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA
- Cópia da Certidão de nascimento ou casamento;
- Cópia do CPF e da Identidade;
- Cópia autenticada do Diploma de Graduação, caso não seja da Unijuí;
- Cópia do Histórico Escolar de Graduação;
- Curriculum Vitae resumido.
* Egressos da Unijuí devem entregar somente os documentos que foram alterados do período em que eram alunos.
No caso da opção por pagamento parcelado, incluir documentos do fiador (cópia do CPF, da Identidade e comprovante de renda e de residência).
AULAS
As disciplinas serão ofertadas nos meses letivos, em finais de semana alternados, com aulas nas sextas-feiras, das 18 às 22 horas; e nos sábados, das 9 às 13 horas, e das 14 às 18 horas.
O curso terá um percentual de até 20%, destinado para atividades não presenciais, desenvolvidas pelo ambiente Conecta, conforme disposto no cronograma do curso.
INVESTIMENTO
Valor à vista: R$ 7.215,00
Parcelamento: a partir de R$ 259,05 mensais.
*Egressos formados pela Unijuí, possuem 15% de desconto.
ESTRUTURA CURRICULAR
· Fundamentos Básicos e Políticas Públicas da Educação Inclusiva – 20h
· Aprendizagem e as Necessidades Educacionais Especiais – 20h
· Corpo(s) e as diferenças: Problematizando Discursos e Representações – 20h
· Atendimento Educacional Especializado – Sala de Recursos Multifuncional – 20h
· Processos Educativos das Pessoas com Transtornos Globais do Desenvolvimento – 40h
· Processos Educativos das Pessoas com Surdez – 40h
· Processos Educativos da Pessoa com Cegueira, Baixa Visão e Surdocegueira – 40h
· Processos Educativos da Pessoa com Deficiência Intelectual – 40h
· Transtornos Funcionais Específicos – 40h
· Projetos Educacionais na Inclusão – 30h
· Diagnóstico e Avaliação da Aprendizagem de PNEE – 30h
· Seminários Temáticos – 24h
· Trabalho de Conclusão de Curso – 30h
CARGA HORÁRIA TOTAL: 390h
CORPO DOCENTE*
Coordenação: Marta Estela Borgmann (Mestra) e Daniela Medeiros (Mestra)
· Alex Garcia (Especialista)
· César Augusto Nunes Bridi Filho (Doutor)
· Daniela Medeiros (Mestra)
· Daniele Noal Gai (Mestra)
· Dulcilene Alves de Melo (Mestra)
· Fabiana Bridi (Doutora)
· Iara Caierão (Doutora)
· Jane Teresinha Donini Rodrigues (Mestra)
· Marcia Lise Lunardi Lazzarin (Doutora)
· Maria Simone Vione Schwengber (Doutora)
· Marizete Almeida Müller (Especialista)
· Marta Estela Borgmann (Mestra)
· Patrícia Gräff (Mestra)
· Sonia Aparecida da Costa Fengler (Mestra)
· Valquirea Martins Monteblanco (Especialista)
MATRÍCULAS E INFORMAÇÕES
· Câmpus Unijuí (Ijuí, Panambi, Santa Rosa e Três Passos);
· Pelo link: http://www.unijui.edu.br/educacao-continuada/pos-graduacao-lato-sensu/educaco-especial-atendimento-educacional-especializado-iju-58
· Unidade de Educação Continuada, Fone: 55 3332.0553.
1ª Edição – Câmpus Ijuí
Um dos graves problemas que afetam o sistema de ensino é a sua incapacidade para compreender a diversidade de fatores pessoais, cognitivos e sociais que estão implicados nas aprendizagens.
Diante dessa realidade, o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Especial: Atendimento Educacional Especializado visa capacitar profissionais da área da educação para atuar neste contexto, atendendo as diferentes especificidades na educação especial e promovendo uma compreensão do processo de inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns.
Para isso, o curso prepara o aluno para a escola inclusiva e para a reflexão sobre a problematização e a construção do conhecimento sobre as diferenças no contexto da aprendizagem nas especificidades da deficiência, transtornos globais do desenvolvimento visando capacitar profissionais para trabalhar no atendimento educacional especializado.
PÚBLICO ALVO
Profissionais das áreas de pedagogia, psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, educação física, serviço social, terapia ocupacional, demais licenciaturas e áreas afins.
PREVISÃO PARA INÍCIO DO CURSO
- Setembro de 2014 (Câmpus Ijuí)
DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA
- Cópia da Certidão de nascimento ou casamento;
- Cópia do CPF e da Identidade;
- Cópia autenticada do Diploma de Graduação, caso não seja da Unijuí;
- Cópia do Histórico Escolar de Graduação;
- Curriculum Vitae resumido.
* Egressos da Unijuí devem entregar somente os documentos que foram alterados do período em que eram alunos.
No caso da opção por pagamento parcelado, incluir documentos do fiador (cópia do CPF, da Identidade e comprovante de renda e de residência).
AULAS
As disciplinas serão ofertadas nos meses letivos, em finais de semana alternados, com aulas nas sextas-feiras, das 18 às 22 horas; e nos sábados, das 9 às 13 horas, e das 14 às 18 horas.
O curso terá um percentual de até 20%, destinado para atividades não presenciais, desenvolvidas pelo ambiente Conecta, conforme disposto no cronograma do curso.
INVESTIMENTO
Valor à vista: R$ 7.215,00
Parcelamento: a partir de R$ 259,05 mensais.
*Egressos formados pela Unijuí, possuem 15% de desconto.
ESTRUTURA CURRICULAR
· Fundamentos Básicos e Políticas Públicas da Educação Inclusiva – 20h
· Aprendizagem e as Necessidades Educacionais Especiais – 20h
· Corpo(s) e as diferenças: Problematizando Discursos e Representações – 20h
· Atendimento Educacional Especializado – Sala de Recursos Multifuncional – 20h
· Processos Educativos das Pessoas com Transtornos Globais do Desenvolvimento – 40h
· Processos Educativos das Pessoas com Surdez – 40h
· Processos Educativos da Pessoa com Cegueira, Baixa Visão e Surdocegueira – 40h
· Processos Educativos da Pessoa com Deficiência Intelectual – 40h
· Transtornos Funcionais Específicos – 40h
· Projetos Educacionais na Inclusão – 30h
· Diagnóstico e Avaliação da Aprendizagem de PNEE – 30h
· Seminários Temáticos – 24h
· Trabalho de Conclusão de Curso – 30h
CARGA HORÁRIA TOTAL: 390h
CORPO DOCENTE*
Coordenação: Marta Estela Borgmann (Mestra) e Daniela Medeiros (Mestra)
· Alex Garcia (Especialista)
· César Augusto Nunes Bridi Filho (Doutor)
· Daniela Medeiros (Mestra)
· Daniele Noal Gai (Mestra)
· Dulcilene Alves de Melo (Mestra)
· Fabiana Bridi (Doutora)
· Iara Caierão (Doutora)
· Jane Teresinha Donini Rodrigues (Mestra)
· Marcia Lise Lunardi Lazzarin (Doutora)
· Maria Simone Vione Schwengber (Doutora)
· Marizete Almeida Müller (Especialista)
· Marta Estela Borgmann (Mestra)
· Patrícia Gräff (Mestra)
· Sonia Aparecida da Costa Fengler (Mestra)
· Valquirea Martins Monteblanco (Especialista)
MATRÍCULAS E INFORMAÇÕES
· Câmpus Unijuí (Ijuí, Panambi, Santa Rosa e Três Passos);
· Pelo link: http://www.unijui.edu.br/educacao-continuada/pos-graduacao-lato-sensu/educaco-especial-atendimento-educacional-especializado-iju-58
· Unidade de Educação Continuada, Fone: 55 3332.0553.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Estimulação precoce de uma criança cega
Segue link de um vídeo onde a mãe estimula o filho sego a aprender a reconhecer o espaço onde mora.
Indo na casa da vovó! Miguel. - YouTube
Assistindo o vídeo fiquei angustiada, mas ao mesmo tempo sei que Miguel está recebendo a estimulação correta para seu desenvolvimento pessoal.
Indo na casa da vovó! Miguel. - YouTube
Assistindo o vídeo fiquei angustiada, mas ao mesmo tempo sei que Miguel está recebendo a estimulação correta para seu desenvolvimento pessoal.
Estimulação precoce de uma criança cega
O vídeo a seguir demonstra a estimulação precoce da mãe com seu filho cego.
Indo na casa da vovó! Miguel. - YouTube Ao assistir esse vídeo fiquei angustiada, mas ao mesmo tempo sei que Miguel está recebendo a estimulação correta e importante para seu desenvolvimento pessoal.
Indo na casa da vovó! Miguel. - YouTube Ao assistir esse vídeo fiquei angustiada, mas ao mesmo tempo sei que Miguel está recebendo a estimulação correta e importante para seu desenvolvimento pessoal.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Carta de uma Professora Apaixonada sobre as Barreiras Atitudinais Perante seu Namorado Cego
Ao Presidente:
CARO SR.,
Sou uma mulher com visão normal, tenho 25 anos de idade e estou namorando um homem cego, de 23 anos. O nome dele é Mathews Souza.
"Quando comecei a fazer parte deste Grupo de pessoas com deficiência, eu o fiz porque queria entender melhor as preocupações e problemas que o MATHEWS tinha. Eu sabia que havia problemas e discriminações, mas jamais pensei que eram tão gritantes até recentemente.
Ambos temos educação superior e possuímos empregos muito bons. MATHEWS trabalha para a Previdência e eu ensino crianças cegas.
Minha filosofia, em termos de ensino, é que elas são simplesmente crianças e precisam das mesmas coisas que todas as crianças precisam. Acredito que a fim de lhes ensinar, tenho que olhar para elas primeiro como crianças e só depois como alunos que precisam de treinamento específico em certas áreas. Se eu não posso fazer isso, a única coisa que eu lhes vou ensinar é como serem deficientes e cegas.
Por causa do meu emprego, comecei a entender por que Mathews ficava tão bravo com certas attitudes de algumas pessoas.
Eu, da mesma forma, fico brava com as pessoas (quando elas olham para os meus alunos) meneiam a cabeça e dizem "coitadinho do pobrezinho"e complementam: Mas eles são tão felizes"como se a única coisa que eles fossem capazes de fazer é serem agradáveis.
Meus alunos são felizes, é claro. E são também inteligentes, doces, mal humorados, mesquinhos, irritados, etc. São tudo o que as crianças são. Eles recebem disciplina quando precisam e elogios quando merecem. Eu não lhes fico dizendo o tempo todo que são maravilhosos e corajosos. Eles são elogiados por suas realizações e por tentarem também.
Sempre digo para os meus alunos que jamais lhes vou pedir que façam qualquer coisa que eu ache que eles não podem fazer.
Eu simplesmente espero que eles consigam e eles esperam conseguir também.Acho que esta é a única maneira que uma criança cega pode crescer para ser um adulto digno. Não quero que meus alunos pensem que cada pequena realização é uma coisa grandiosa demais. Todos os meus alunos estão orgulhosos de suas realizações e eles devem estar - eles deram duro para isso; mas acho que é um insulto para a criança ficarmos insistindo em quão maravilhosa ela é. Para mim isso implica que você pensa que, para início de conversa, a criança é estúpida e você nunca teve fé bastante nela para pensar que ela poderia fazer o que fez.
Estou aprendendo Braille agora e MATHEWS está me ajudando. Ele me elogia e encoraja, mas ele não age como se eu tivesse feito algo fora do comum. Para mim isto é muito mais do que um elogio. Sinto como se ele soubesse que eu pudesse fazê-lo.
Se ele fizesse um estardalhaço disso, eu pensaria que ele acha que sou de certa forma uma incapaz e que aprender Braille é realmente um grande feito para uma imbecil como eu.
"Tenho raiva dos pais que mimam os seus filhos e nunca permitem que eles façam algo, ou que não os levam a fazer algo.
Todas as crianças caem, caem de balanços, batem a cabeça, etc, e as crianças que eu ensino têm o direito de caírem também. Sei que é difícil para algumas dessas crianças fazerem certas coisas, mas elas têm que tentar. Quando você tem crianças "mimadas" na sala de aula elas são quase impossíveis de serem ensinadas. Isso porque, os adultos fizeram com que elas pensem que elas não têm que fazer nada, e elas vão crescer e tornarem-se adultos que pensam que o mundo lhes deve um favor.
Um outro grupo de pais de que detesto são aqueles que têm vergonha de seus filhos. As crianças nessa condição também são difíceis de serem ensinadas.
"Mas neste final de semana eu vi discriminação e crueldade como nunca, e pela primeira vez entendi completamente o quão importante é a união das pessoas com deficiência na luta contra as barreiras atitudinais.
Em minha experiência, eu tenho tido contato com a reação de pena que algumas pessoas apresentam em relação às crianças com deficiência, barreira atitudinal de pena ou dó: "coitadinha da pobrezinha. Deve ser horrível passar a vida assim';
com a barreira atitudinal de exaltação do herói (síndrome do corajoso e maravilhoso )- tudo o que a criança faz está, de certa forma, além do campo das expectativas de um ser humano: "Minha nossa, como você é inteligente!"A criança é sempre descrita como sendo "especial e corajosa'; barreira atitudinal de inferioridade ninguém espera que ela seja capaz de fazer qualquer coisa, e quando faz, o elogio é grosseiramente desproporcional. Barreira atitudinal de Rejeição: a criança é ignorada ou evitada.
"No último final de semana, meu namorado e eu experienciamos uma mistura de todas essas barreiras:
Sexta à noite, MATHEWS e eu recebemos algumas pessoas para jantar. Eu estava na cozinha fazendo feijão cozido e ovos deviled. Meu namorado entrou e perguntou se havia algo que ele poderia fazer. Então, pedi que fatiasse os tomates. (Eu não tinha a intenção de fazer disso um "show". Eu só queria ver os benditos tomates cortados.)
Nesse momento, um dos convidados entrou na cozinha e disse: "Mas, ele pode cortar os dedos.ao que MATHEWS lhe redarguiu que já havia cortado tomates antes e tinha certeza que o podia fazer novamente. Ele o fez e logo tinha um prato bonito cheio de tomates cortados. O homem, que o tinha ficado observando, então, pegou-o pelo braço com uma mão e , com o prato com os tomates na outra mão levou-o para mostrar a todos os demais o que MATHEWS tinha feito. (Uma criança de um ano de idade que acabara de aprender a andar de bicicleta não teria ganho tantos elogios.)
Meu namorado ignorou o fato e foi acender o carvão. O mesmo homem de antes me perguntou: "Você vai deixá-lo fazer isso? "Eu encolhi os ombros e disse: "Por que não?
O homem deu um salto e correu atrás de MATHEWS . Quando o homem voltou, tudo que ele falava era o quão notável MATHEWS era, quão notável era o que MATHEWS era capaz de fazer etc. "Depois de todo o falatório começamos a comer.
Daí começou a chover. Meu namorado se levantou e me perguntou: "As janelas do carro estão abertas?"disse-lhe que sim, então MATHEWS correu para fora para levantá-las - sem levar sua bengala. E o mesmo homem de antes então indagou?"O MATHEWS não precisa disso aqui?"Eu, então respondi: "Não. Não se preocupe tanto com ele. Ele está bem" Meu namorado voltou e começamos a comer novamente. MATHEWS queria mais feijão, então foi para o fogão e pegou mais. O comentário do homem foi "Isto é simplesmente maravilhoso."Ora, pergunto eu: O que há de tão maravilhoso em uma pessoa cega pegar feijão sozinha? Meu namorado me disse mais tarde (depois que os convidados foram embora) que se sentia como se estivesse curvando depois de cada coisa que aquele homem dizia. Eu não acho que meu namorado fez nada fora do comum, e nem ele achava.
A noite toda ele se sentiu como se estivesse "fazendo parte de um show", e eu sentia um forte desejo de me levantar e gritar: "MATHEWS não é um idiota , e não é um bebê. Ele não está fazendo nada de extraordinário, então calem a boca!
Mas, isso não foi só. Mais tarde naquela noite meu namorado e eu fomos à emergência do hospital. Ele tinha esbarrado em alguma erva venenosa, e ela lhe irritara os olhos.
A enfermeira de plantão era péssima. Ela não achava que MATHEWS era notável - Pelo contrário, achava que MATHEWS era cego, surdo, mudo, estúpido, e incapaz de fazer qualquer coisa.
A enfermeira me perguntou, "Qual é o nome dele? Onde ele mora? Os olhos dele coçam?"Eu me senti ofendida com tal comportamento da enfermeira e disse, "Eu acho que ele pode responder a todas essas perguntas sozinho. Meu namorado calmamente disse à enfermeira o que ela queria saber, mas notei que ele estava furioso com toda aquela situação.
"Quando MATHEWS entrou para ser atendido, um senhor veio a mim e disse, "Você é tão maravilhosa em ser bondosa com aquele pobre jovem. "Então, tentei explicar que eu me sentia com sorte de ter um homem como MATHEWS . (E sou. Ele é a melhor coisa que jamais aconteceu comigo. Quando nós estamos juntos, eu me sinto feliz, segura e protegida. Eu o amo.) Depois que terminei de tentar explicar ao senhor o nosso relacionamento, ele disse, "Você quer dizer que você está saindo com ele? Ele é cego. "Então eu disse algo que eu não deveria ter dito. "Sim, ele é cego, mas ele é mais homem do que você jamais será."Meu namorado saiu do consultório, e fomos embora.
"Sábado à tarde, mais alguns amigos vieram nos visitar, e todos fomos andar de patins. Foi muito bom e nos divertimos todos juntos.
Quando chegamos de volta ao apartamento de meu namorado, uma de minhas amigas falou: "Você é realmente legal com o MATHEWS Ele precisa de alguém como você."Eu disse para ela que eu também precisava dele. Então ela me perguntou se quando nós estamos sós Mathews era capaz de fazer todas as coisas que outros homens fazem. Você pode imaginar o meu espanto com tal pergunta. Eu garanti a ela que ele certamente fazia e não deixava nada a desejar.
"Domingo, eu estava tão sobrecarregada com tudo o que acontecera que não conseguia sequer pensar. Meu namorado sabia que algo estava errado. Eu lhe disse que estava ok. Ele tinha algumas latas que precisavam ser rotuladas, então eu comecei a fazer isso na máquina Braille dele. Eu estava colocando um rótulo numa lata de suco de abacaxi e escrevi suco errado.
MATHEWS comentou que jamais tinha visto suco escrito daquele jeito. Então eu chorei. Daí, Ele ficou visivelmente sentido pelo fato de eu ter chorado e disse: "Eu vou lhe perguntar uma vez o que está errado, e se você não quiser me dizer, tudo bem, mas eu gostaria de poder lhe ajudar com o que está acontecendo."Então eu lhe disse que não achava justo que ele tivesse que passar por aquelas situações, e que o amava demais para o ver aguentar a todas aquelas formas de discriminação e preconceito.
MATHEWS é um homem doce, amável, compassivo, inteligente, sexy, e desejável; e eu o amo por tudo isso. Então, me machuca ver tantas pessoas tratá-lo como algum tipo de incapaz. Ele tem uma auto-imagem muito boa e não quero que isso mude. Ele disse, "Querida, tenha calma. Você vai se acostumar com isso."Não, eu não vou. Eu não vou me acostumar a vê-lo sendo insultado.
"Eu simplesmente não posso entender que diferença faz se ele enxerga ou não!
Uma de nossas amigas recentemente me disse, "Você realmente é uma pessoa excepcional para poder aceitar o Mathews."Eu disse a ela que, de fato, não era, e que eu simplesmente não pensava sobre isso. Ela disse: "Oh, deve ser duro esquecer uma coisa dessa." Disse-lhe que eu não tentava esquecer nada; que simplesmente não pensava sobre isso - da mesma forma que uma pessoa não pensa sobre o fato de que alguém tem cabelos castanhos. Realmente faz pouca diferença de que cor o cabelo de alguém é, a mesma coisa com relação a Mathews.
Eu sei que ele não pode enxergar, e eu não tento esquecer isso. Entretanto, eu realmente não fico pensando no fato de ele ser cego ou em sua cegueira. Mas, minha amiga não conseguia entender isso. Ela disse: "mas é tão óbvio." Daí, Eu lhe disse que ela parava de olhar quando viu os óculos que ele usava- e que ela não era capaz de ver o homem por de trás deles. Por fim, disse-lhe que ela era "mais limitada"do que Mathews. Lá se foi uma amiga.
"O que mata mesmo é quando as pessoas ficam sabendo que sou uma professora de educação especial..., Imagino que não preciso dizer o que elas dizem então.
"Nesse dia, Mathews ficou comigo metade da noite. Ele falou comigo e me ouviu chorar.
Sr. Presidente, entenda que não estava chorando porque eu estou amando um " homem cego", mas porque eu amo meu namorado, e me machuca quando as pessoas agem com tamanha discriminação e preconceito frente à deficiência dele.
"Sinceramente,"
A professora Apaixonada
CARO SR.,
Sou uma mulher com visão normal, tenho 25 anos de idade e estou namorando um homem cego, de 23 anos. O nome dele é Mathews Souza.
"Quando comecei a fazer parte deste Grupo de pessoas com deficiência, eu o fiz porque queria entender melhor as preocupações e problemas que o MATHEWS tinha. Eu sabia que havia problemas e discriminações, mas jamais pensei que eram tão gritantes até recentemente.
Ambos temos educação superior e possuímos empregos muito bons. MATHEWS trabalha para a Previdência e eu ensino crianças cegas.
Minha filosofia, em termos de ensino, é que elas são simplesmente crianças e precisam das mesmas coisas que todas as crianças precisam. Acredito que a fim de lhes ensinar, tenho que olhar para elas primeiro como crianças e só depois como alunos que precisam de treinamento específico em certas áreas. Se eu não posso fazer isso, a única coisa que eu lhes vou ensinar é como serem deficientes e cegas.
Por causa do meu emprego, comecei a entender por que Mathews ficava tão bravo com certas attitudes de algumas pessoas.
Eu, da mesma forma, fico brava com as pessoas (quando elas olham para os meus alunos) meneiam a cabeça e dizem "coitadinho do pobrezinho"e complementam: Mas eles são tão felizes"como se a única coisa que eles fossem capazes de fazer é serem agradáveis.
Meus alunos são felizes, é claro. E são também inteligentes, doces, mal humorados, mesquinhos, irritados, etc. São tudo o que as crianças são. Eles recebem disciplina quando precisam e elogios quando merecem. Eu não lhes fico dizendo o tempo todo que são maravilhosos e corajosos. Eles são elogiados por suas realizações e por tentarem também.
Sempre digo para os meus alunos que jamais lhes vou pedir que façam qualquer coisa que eu ache que eles não podem fazer.
Eu simplesmente espero que eles consigam e eles esperam conseguir também.Acho que esta é a única maneira que uma criança cega pode crescer para ser um adulto digno. Não quero que meus alunos pensem que cada pequena realização é uma coisa grandiosa demais. Todos os meus alunos estão orgulhosos de suas realizações e eles devem estar - eles deram duro para isso; mas acho que é um insulto para a criança ficarmos insistindo em quão maravilhosa ela é. Para mim isso implica que você pensa que, para início de conversa, a criança é estúpida e você nunca teve fé bastante nela para pensar que ela poderia fazer o que fez.
Estou aprendendo Braille agora e MATHEWS está me ajudando. Ele me elogia e encoraja, mas ele não age como se eu tivesse feito algo fora do comum. Para mim isto é muito mais do que um elogio. Sinto como se ele soubesse que eu pudesse fazê-lo.
Se ele fizesse um estardalhaço disso, eu pensaria que ele acha que sou de certa forma uma incapaz e que aprender Braille é realmente um grande feito para uma imbecil como eu.
"Tenho raiva dos pais que mimam os seus filhos e nunca permitem que eles façam algo, ou que não os levam a fazer algo.
Todas as crianças caem, caem de balanços, batem a cabeça, etc, e as crianças que eu ensino têm o direito de caírem também. Sei que é difícil para algumas dessas crianças fazerem certas coisas, mas elas têm que tentar. Quando você tem crianças "mimadas" na sala de aula elas são quase impossíveis de serem ensinadas. Isso porque, os adultos fizeram com que elas pensem que elas não têm que fazer nada, e elas vão crescer e tornarem-se adultos que pensam que o mundo lhes deve um favor.
Um outro grupo de pais de que detesto são aqueles que têm vergonha de seus filhos. As crianças nessa condição também são difíceis de serem ensinadas.
"Mas neste final de semana eu vi discriminação e crueldade como nunca, e pela primeira vez entendi completamente o quão importante é a união das pessoas com deficiência na luta contra as barreiras atitudinais.
Em minha experiência, eu tenho tido contato com a reação de pena que algumas pessoas apresentam em relação às crianças com deficiência, barreira atitudinal de pena ou dó: "coitadinha da pobrezinha. Deve ser horrível passar a vida assim';
com a barreira atitudinal de exaltação do herói (síndrome do corajoso e maravilhoso )- tudo o que a criança faz está, de certa forma, além do campo das expectativas de um ser humano: "Minha nossa, como você é inteligente!"A criança é sempre descrita como sendo "especial e corajosa'; barreira atitudinal de inferioridade ninguém espera que ela seja capaz de fazer qualquer coisa, e quando faz, o elogio é grosseiramente desproporcional. Barreira atitudinal de Rejeição: a criança é ignorada ou evitada.
"No último final de semana, meu namorado e eu experienciamos uma mistura de todas essas barreiras:
Sexta à noite, MATHEWS e eu recebemos algumas pessoas para jantar. Eu estava na cozinha fazendo feijão cozido e ovos deviled. Meu namorado entrou e perguntou se havia algo que ele poderia fazer. Então, pedi que fatiasse os tomates. (Eu não tinha a intenção de fazer disso um "show". Eu só queria ver os benditos tomates cortados.)
Nesse momento, um dos convidados entrou na cozinha e disse: "Mas, ele pode cortar os dedos.ao que MATHEWS lhe redarguiu que já havia cortado tomates antes e tinha certeza que o podia fazer novamente. Ele o fez e logo tinha um prato bonito cheio de tomates cortados. O homem, que o tinha ficado observando, então, pegou-o pelo braço com uma mão e , com o prato com os tomates na outra mão levou-o para mostrar a todos os demais o que MATHEWS tinha feito. (Uma criança de um ano de idade que acabara de aprender a andar de bicicleta não teria ganho tantos elogios.)
Meu namorado ignorou o fato e foi acender o carvão. O mesmo homem de antes me perguntou: "Você vai deixá-lo fazer isso? "Eu encolhi os ombros e disse: "Por que não?
O homem deu um salto e correu atrás de MATHEWS . Quando o homem voltou, tudo que ele falava era o quão notável MATHEWS era, quão notável era o que MATHEWS era capaz de fazer etc. "Depois de todo o falatório começamos a comer.
Daí começou a chover. Meu namorado se levantou e me perguntou: "As janelas do carro estão abertas?"disse-lhe que sim, então MATHEWS correu para fora para levantá-las - sem levar sua bengala. E o mesmo homem de antes então indagou?"O MATHEWS não precisa disso aqui?"Eu, então respondi: "Não. Não se preocupe tanto com ele. Ele está bem" Meu namorado voltou e começamos a comer novamente. MATHEWS queria mais feijão, então foi para o fogão e pegou mais. O comentário do homem foi "Isto é simplesmente maravilhoso."Ora, pergunto eu: O que há de tão maravilhoso em uma pessoa cega pegar feijão sozinha? Meu namorado me disse mais tarde (depois que os convidados foram embora) que se sentia como se estivesse curvando depois de cada coisa que aquele homem dizia. Eu não acho que meu namorado fez nada fora do comum, e nem ele achava.
A noite toda ele se sentiu como se estivesse "fazendo parte de um show", e eu sentia um forte desejo de me levantar e gritar: "MATHEWS não é um idiota , e não é um bebê. Ele não está fazendo nada de extraordinário, então calem a boca!
Mas, isso não foi só. Mais tarde naquela noite meu namorado e eu fomos à emergência do hospital. Ele tinha esbarrado em alguma erva venenosa, e ela lhe irritara os olhos.
A enfermeira de plantão era péssima. Ela não achava que MATHEWS era notável - Pelo contrário, achava que MATHEWS era cego, surdo, mudo, estúpido, e incapaz de fazer qualquer coisa.
A enfermeira me perguntou, "Qual é o nome dele? Onde ele mora? Os olhos dele coçam?"Eu me senti ofendida com tal comportamento da enfermeira e disse, "Eu acho que ele pode responder a todas essas perguntas sozinho. Meu namorado calmamente disse à enfermeira o que ela queria saber, mas notei que ele estava furioso com toda aquela situação.
"Quando MATHEWS entrou para ser atendido, um senhor veio a mim e disse, "Você é tão maravilhosa em ser bondosa com aquele pobre jovem. "Então, tentei explicar que eu me sentia com sorte de ter um homem como MATHEWS . (E sou. Ele é a melhor coisa que jamais aconteceu comigo. Quando nós estamos juntos, eu me sinto feliz, segura e protegida. Eu o amo.) Depois que terminei de tentar explicar ao senhor o nosso relacionamento, ele disse, "Você quer dizer que você está saindo com ele? Ele é cego. "Então eu disse algo que eu não deveria ter dito. "Sim, ele é cego, mas ele é mais homem do que você jamais será."Meu namorado saiu do consultório, e fomos embora.
"Sábado à tarde, mais alguns amigos vieram nos visitar, e todos fomos andar de patins. Foi muito bom e nos divertimos todos juntos.
Quando chegamos de volta ao apartamento de meu namorado, uma de minhas amigas falou: "Você é realmente legal com o MATHEWS Ele precisa de alguém como você."Eu disse para ela que eu também precisava dele. Então ela me perguntou se quando nós estamos sós Mathews era capaz de fazer todas as coisas que outros homens fazem. Você pode imaginar o meu espanto com tal pergunta. Eu garanti a ela que ele certamente fazia e não deixava nada a desejar.
"Domingo, eu estava tão sobrecarregada com tudo o que acontecera que não conseguia sequer pensar. Meu namorado sabia que algo estava errado. Eu lhe disse que estava ok. Ele tinha algumas latas que precisavam ser rotuladas, então eu comecei a fazer isso na máquina Braille dele. Eu estava colocando um rótulo numa lata de suco de abacaxi e escrevi suco errado.
MATHEWS comentou que jamais tinha visto suco escrito daquele jeito. Então eu chorei. Daí, Ele ficou visivelmente sentido pelo fato de eu ter chorado e disse: "Eu vou lhe perguntar uma vez o que está errado, e se você não quiser me dizer, tudo bem, mas eu gostaria de poder lhe ajudar com o que está acontecendo."Então eu lhe disse que não achava justo que ele tivesse que passar por aquelas situações, e que o amava demais para o ver aguentar a todas aquelas formas de discriminação e preconceito.
MATHEWS é um homem doce, amável, compassivo, inteligente, sexy, e desejável; e eu o amo por tudo isso. Então, me machuca ver tantas pessoas tratá-lo como algum tipo de incapaz. Ele tem uma auto-imagem muito boa e não quero que isso mude. Ele disse, "Querida, tenha calma. Você vai se acostumar com isso."Não, eu não vou. Eu não vou me acostumar a vê-lo sendo insultado.
"Eu simplesmente não posso entender que diferença faz se ele enxerga ou não!
Uma de nossas amigas recentemente me disse, "Você realmente é uma pessoa excepcional para poder aceitar o Mathews."Eu disse a ela que, de fato, não era, e que eu simplesmente não pensava sobre isso. Ela disse: "Oh, deve ser duro esquecer uma coisa dessa." Disse-lhe que eu não tentava esquecer nada; que simplesmente não pensava sobre isso - da mesma forma que uma pessoa não pensa sobre o fato de que alguém tem cabelos castanhos. Realmente faz pouca diferença de que cor o cabelo de alguém é, a mesma coisa com relação a Mathews.
Eu sei que ele não pode enxergar, e eu não tento esquecer isso. Entretanto, eu realmente não fico pensando no fato de ele ser cego ou em sua cegueira. Mas, minha amiga não conseguia entender isso. Ela disse: "mas é tão óbvio." Daí, Eu lhe disse que ela parava de olhar quando viu os óculos que ele usava- e que ela não era capaz de ver o homem por de trás deles. Por fim, disse-lhe que ela era "mais limitada"do que Mathews. Lá se foi uma amiga.
"O que mata mesmo é quando as pessoas ficam sabendo que sou uma professora de educação especial..., Imagino que não preciso dizer o que elas dizem então.
"Nesse dia, Mathews ficou comigo metade da noite. Ele falou comigo e me ouviu chorar.
Sr. Presidente, entenda que não estava chorando porque eu estou amando um " homem cego", mas porque eu amo meu namorado, e me machuca quando as pessoas agem com tamanha discriminação e preconceito frente à deficiência dele.
"Sinceramente,"
A professora Apaixonada
terça-feira, 10 de junho de 2014
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Sancionada lei que reduz tributos de produtos para pessoas com deficiência
O Diário Oficial da União publicou no dia 18 a lei que reduz a zero as
alíquotas do PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre 27 produtos voltados a
pessoas com deficiência.
Entre os produtos estão calculadoras equipadas com sintetizador de voz, teclados com adaptações específicas, mouses com acionamento por pressão, digitalizador de imagens - scanners - equipados com sintetizador de voz, lupas eletrônicas, próteses oculares e softwares de leitores de tela que convertem o texto em voz ou em caracteres braille, para utilização de surdos-cegos.
A medida faz parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Plano Viver sem Limite), lançado pelo governo federal no ano passado. Também contam com isenção desde novembro do ano passado, data de publicação da Medida Provisória 549/11, partes e peças para cadeiras de rodas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência no país, o que corresponde a 23,91% da população brasileira.
Fonte: www.visibilidadecegosbrasil.com.br
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A medida faz parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Plano Viver sem Limite), lançado pelo governo federal no ano passado. Também contam com isenção desde novembro do ano passado, data de publicação da Medida Provisória 549/11, partes e peças para cadeiras de rodas.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45,6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência no país, o que corresponde a 23,91% da população brasileira.
Fonte: www.visibilidadecegosbrasil.com.br
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